15 abril 2016

O papel do pai no sono do bebê

Oi gente,

Postei uma foto mais cedo no instagram e conta pessoal do facebook falando sobre o importante papel do papai no sono do bebê e algumas pessoas me enviaram mensagem pedindo o texto da psicóloga que falava sobre isso.



Acho que a frase que mais causou impacto aqui em casa foi quando ela explicou que o papai é o responsável de "cortar o cordão umbilical ainda existente entre a mamãe e o bebê por volta dos 5 meses". Para a mamãe, trabalhar o psicológico e a confiança em outra pessoa nesta fase (principalmente na hora do bebê dormir sem ela) é algo bem difícil e sensível. É preciso um pulso firme do papai, tomando para si a responsabilidade em ser o facilitador do sono do bebê.

Sophia tem 6 meses agora e já está na hora dela dormir a noite inteira. Nessas últimas semanas ela estava acordando de 2 em 2 horas. A principio achei que era fome, porque ela queria logo vir para o peito, mas logo percebi que era só para sentir o aconchego do colo da mamãe. Logo ela adormecia e nem tomava muito leite.

Certa vez uma terapeuta do sono me explicou que os bebês tem intervalos de sono durante a noite, assim como nós, mas nós não percebemos porque já aprendemos como voltar a dormir sozinhos, Então toda vez que acontece esse intervalo de sono conosco, nós nos mexemos ou mudamos de lado e voltamos a dormir. O bebê ainda não aprendeu isso (muitos já, alguns não), e essa é a hora em que despertam procurando a mamãe.

Nós já tinhamos decidido que se a Sophia tivesse esses intervalos, nós deixariamos ela um pouco no berço para dar a chance dela adormecer sozinha. Só que eu sempre achava que ela não iria adormecer sozinha e ia acabar despertando mais ainda. Não dava nem dois minutos e já pegava ela no berço. O resultado foi ela me chamar sempre que percebia que eu não estava por perto. Eu acabava virando um panda super raivoso de manhã por não ter dormido bem.

Depois de ler algumas coisas que a psicóloga escreveu, eu confiei mais em deixar para o Jason o papel de levantar e pegar a Sophia. Só de tirar de mim a responsabilidade de pegá-la fez com que eu ficasse menos ansiosa e desse mais oportunidade para ela conseguir sozinha. Agora Sophia só sai do berço quando o papai pega. Muitas vezes eu ouço ela acordar de madrugada, reclamar por alguns minutos, Jason nem se move e eu fico pensando se ele não vai levantar pra pegar ela, ela diminui a reclamação e então está dormindo de novo. De manhã ela acorda, avisa que acordou e se ela acordou de verdade e não quer dormir mais, ela fica conversando sozinha, até cansar e gritar a gente.

Tem sido a solução para nossa pequena família essa semana. Sophia realmente se sente muito mais agarrada com o Jason, não só para brincar. Ele também ajuda a dar a mamadeira, já que Sophia já toma a mamadeira também. E assim vamos progredindo e acertando o que funciona pra gente. Mas dessa madeira, nem eu e nem ele acordamos super cansados de manhã e conseguimos fazer as coisas que planejamos com disposição.

Claro que o texto não dá nenhuma fórmula mágica, até porque ela não existe. Cada família tem uma dificuldade diferente, cabe a cada um de nós observar qual o ponto fraco um do outro (inclusive o do bebê) e tentar ajudar neste ponto. Aí as coisas vão se equilibrando e se tornando muito mais fácil.

Pense bem, por que meu bebê não dorme a noite? Eu dou a oportunidade dele aprender a adormecer de novo sozinho? Como posso suprir as necessidades dele? O que tem sido difícil para mim (mãe) durante a noite? O que tem sido difícil para mim (pai) durante a noite? Como posso suprir a dificuldade do meu parceiro?

Assim todas as necessidades serão reconhecidas e vocês poderão trabalhar juntos para eliminá-las da melhor forma possível. Esse método que desenvolvemos aqui em casa tem nos ajudado em diferentes fases do sono da Sophia. Espero que ajude a vocês também.

xoxo.

O texto é da psicóloga Renata Soifer Kraiser, compartilhado pelo blog Just Real Moms.

Olá, mamães,
Hoje eu quero conversar com vocês sobre uma figura muito importante, mas pouco falada quando o assunto é desenvolvimento infantil.
O pai, ou quem faz o papel de pai, é uma figura que tem grande importância no desenvolvimento do bebê por várias razões. É ele quem corta o segundo “cordão umbilical”, possibilitando ao bebê ligar-se a outra realidade afetiva além da mãe. Ele é o primeiro representante do “mundo além” da simbiose mãe-bebê, ou seja, é por meio dele que o bebê fará o primeiro contato para além do peito e/ou mamadeira.
É o pai quem vai dizer para a mãe que aquele bebê também é dele, e vai dizer para o bebê que aquela mulher não é só sua.
É por isso que o pai é tão importante no processo de adormecer.
Para que o bebê consiga dormir, ainda que em cama compartilhada, ele precisa conseguir se desligar desse mundo, o mundo consciente, para então mergulhar no mundo do sono e dos sonhos. Um mundo que é só dele e que ninguém pode entrar além dele próprio, sozinho.
Para fazer esse movimento de desligar-se desse mundo, mergulhar no sono, para então voltar para esse mundo de forma tranquila, o bebê precisa ser capaz de desligar-se da mãe, ainda que por algumas horas, com a certeza de que no dia seguinte, ela estará ali, inteira e pronta para prover suas necessidades.
Quando o pai gradativamente rompe a simbiose mãe/bebê, por volta dos 5 meses, o bebê começa a se ligar de maneira mais efetiva ao pai e não sobrecarrega tanto a relação mãe/bebê, a ponto de ter que permanecer ligado nela ininterruptamente.
Desta maneira, podemos dizer que o pai é um facilitador do processo de adormecer.
O que usualmente ocorre com as crianças que têm dificuldade para iniciar e/ou manter o sono, é que a maneira como o vínculo acontece não abre espaço para o tempo de dormir. Os pais induzem o sono da criança, levando-a até o sono profundo, de modo que ela não tem a chance de conhecer seus próprios meios de fazer esse percurso.
O medo de traumatizar, de abandonar, de frustrar, de desligar e a culpa que os pais sentem diante do choro do bebê, fazem com que a criança se torne dependente dos indutores do sono.
Por isso que a insônia do bebê está intimamente ligada a aspectos psicológicos e não se resume a um treinamento. É importante entender como o vínculo acontece, como o os pais se relacionam, como está a psique dos pais, e muitas vezes, como foi ou como é a própria relação dos pais do bebê com os avós da criança. Como foi a infância, seu próprio processo de adormecer, seus próprios medos e compensações.
Quando o casal está em crise, também é muito comum a mãe se ligar ao bebê de maneira tal que o pai não consegue participar da relação. Ou também é natural que o vínculo mãe/filho acabe compensando a ausência do pai ou seu afastamento.
Desta maneira, é muito importante que o pai do bebê exista de fato na vida dele, participe da rotina, atue, opine, alimente, dê banho, cuide. Ser pai não se resume a pagar contas e brincar 10 minutinhos. Ser pai é muito mais que isso. É acima de tudo abrir um espaço entre a mãe e o bebê. Espaço esse que vai ajudar a criança a reconhecer o que é ela e o que é o outro. Vai ajudar o bebê a se desligar da mãe para poder dormir e também dar a ambos, mãe e bebê, tempo de vida para oxigenar a relação e depois voltar a ela de maneira mais tranquila, menos estressada, mais gostosa.
Porque a saúde mental do bebê não depende só da mãe.
Um grande abraço!
Renata

Nenhum comentário:

Postar um comentário


ELA ME TRANSFORMA - © Todos os direitos reservados | LAYOUT POR: LEISE - BLOG UNHAS NATALENSES
imagem-logo