24 novembro 2015

Vida - Parto do Samuel


O Post de hoje é lindo e inspirador. Para começarmos bem a Série Vida do nosso blog, quem escreve para nós hoje é a Maria Aurilene, do Rio de Janeiro, contando sua história encantadora. Ela conta com detalhes sobre a descoberta da gravidez, medos, desafios e o parto. Espero que vocês se deliciem com essa história e se inspirem de alguma forma. 

xoxo.


Olá, me chamo Maria Aurilene, tenho 27anos, e sou casada com o Renato. Estamos casados há dois anos e seis meses, e há mais ou menos 11 meses decidimos que era a hora da família começar a crescer. Minha aventura no mundo da maternidade começou exatamente no dia 18 de outubro de 2014. Andava desconfiada que o que planejamos estava acontecendo. Esperei Renato sair e fui fazer o exame de fármacia...Nossa, eu fiquei totalmente paralisada com aquelas duas listras, sentei e chorei. Um milhão de pensamentos passaram pela minha cabeça, um filme sobre a minha vida  e imediatamente fui contar pra única pessoa que entenderia que sentimento era aquele, minha mãe. Choramos e ela me disse que a partir daquele momento entenderia realmente todo o amor que ela sente por mim. Horas mais tarde contei pro Renato que mal acreditou não  tínhamos completado nem um mês da decisão de deixar vir os filhos. Achava que estava preparada para ser mãe pelo fato de ter combinado que estava na hora de engravidar e me sentir feliz por isso, mas de fato percebi que estava totalmente perdida.

E então começava a jornada, sinceramente eu não tinha a menor noção de por onde começar, pra que maternidade ir. Como era um sábado, passei o final de semana lendo sobre parto, exames, sintomas de gravidez, parto,parto e parto rs... Definitivamente uma das minhas maiores preocupações era como trazer ao mundo o bebê que eu já amava tanto, e me sentir segura sobre a escolha. A dúvida era: será que eu realmente seguraria a bronca??? tantas dúvidas sobre parto cesária,  parto natural, parto normal e todos procedimentos diferentes, além de todas as informações contra e a favor sobre todos eles.

Pedi informação a todas as amigas e conhecidas que já tinham bebê até que uma me falou sobre a casa de parto, por sinal a única do nosso estado (Rio de Janeiro). Pesquisei todas as informações na internet sobre o local. A princípio me pareceu um local igual a qualquer maternidade, a não ser o fato de não ter cirurgia,  seria um local onde faria um parto normal igual da materdanidade. Pra minha maravilhosa surpresa e conhecimento, não era bem assim ... Eu estava iniciando minha caminhada pra realizar junto com meu marido o parto natural humanizado.Todas as oficinas e consultas que fui na casinha rosa (apelido adequado pra um lugarzinho maravilhoso e aconchegante que é a casa de parto) me mostravam o potencial da mulher e a natureza do parto. Foi apresentando como um processo natural fisiológico, então com minha falta de experiência, eu me perguntava onde esta a diferença de um parto normal do hospital comum ???

Meses e quilos mais tarde (risos) todo o processo da gravidez foi vivido com amor e dedicação e acompanhado em detalhes pela casa de parto, uma exigência pra não se ter médicos na casa durante o parto é uma gestante de baixo risco. E assim foi a gravidez inteira. Normalmente inchada, sonolenta, pesada, comilona (quem nunca ???) algumas alterações. Entrando, na semana 37 foi dada a largada para a chegada  do nosso momento, o assunto agora era PARTO, o tão esperado. Depois de ser explicado os sintomas de trabalho de parto e as tecnologias que nos ajudariam a passar por esse momento, continuamos nossa espera. Enquanto isso não chegava, pintamos a barriga para a ultra natural ( um carinho oferecido por uma enfermeira fofa e super talentosa da casa de parto) foi uma experiência muito especial, quebrar aquela tensão de "agora é a hora hein" .

        A semana 39 chegou e foi a hora de ouvir "e esse neném não nasce não ??? " E vai passar da hora !!!" "e menina, a filha da amiga da vizinha da empregada da minha sogra teve uma conhecida que o bebê morreu de tanto esperar pelo parto normal"... Só coisas assim animadoras e edificantes #sqn. Aliás, todas as coisas que não devem ser faladas ouvimos no final da gestação e por mulheres que já pariram e sabem que é uma fase complicada.


Começou a cair minha ficha que meu parto natural começava ali, toda aquelas experiências dos outros de comigo foi assim, a amiga da minha amiga foi assado, nada daquilo servia. Estava preparada pro meu parto, pra minha experiência, meu bebê sabia a hora que ele queria chegar e era o tempo dele. Estávamos bem, poderíamos esperar até 41 semanas e 3 dias. E ele quis esperar uma data especial pra chegar… Uma semana depois chegamos a 40 semanas e cinco dias (quase no limite do tempo para nascer na casa de parto), no dia 12 de junho, durante a madrugada, ele me avisou que estava pronto rs.

 Começou ali a nossa experiência. Às 03:00 horas senti uma cólica muito forte com uma fisgada na barriga: acordei com seguinte sentimento "sera que ele vai nascer agora? Rs... Para meu engano era o primeiro minuto de algumas horas pela frente. Voltei a dormir mesmo com a cólica e o incômodo. Acordei com as contrações… como estavam fracas e com intervalo bem longo, falei pro Renato ir trabalhar normal que qualquer coisa ligaria... e passei todo aquele dia já com as contrações fortes, mas espaçadíssimas. Tudo que aprendi na casa de parto me ajudou, andei pela casa (arrumei a casa), dancei (muito ...estava super feliz afinal era dia dos namorados), fiz comida (como senti fome naquele dia, mal sabia que vomitaria tudo), cortei corações de papel (achava que decoraria o quarto da maternidade com serenidade...ahaha cheguei com 7 de dilatação no quarto) fui na rua fazer compras. Passei todo aquele dia e as contrações com intervalo diminuindo. Quanto mais contrações sentia mais queria que acabasse logo pra estar com o Samuel seguro no meu colo.

Às 21:30, já estava com as contrações duas de 40 segundos em dez minutos (aprendi na teoria e logo sabia que era o momento até porque a dor tinha aumentado significativamente), acabamos de nos arrumar e estávamos a caminho da casa de parto. Eu, minha mãe  ( que queria conversar nos intervalos das contrações, era pra relaxar ou respirar bem, mas não eu queria era falar...rs), Renato ( o pai mais relax da terra), Melissa (a amiga que deixou o marido em casa no dia doa namorados pra nos acompanhar, #tiaqueamatop rs). Durante todos esses momentos eram contrações intensas com intervalos tranquilos, ao chegar na casa de parto fiz o exame e duas horas depois no segundo exame estava oficialmente internada. Tinha entendido que o controle sob as contrações estavam comigo, meu corpo ajudava a trazer o Samuel , eu respirava, Samuel fazia pressão pra descer, simples assim - um pouco mais doloroso na pratica. Ao entrar no quarto já fui logo pro chuveiro, a agua morna caia como um porção mágica, parece que tirava um peso enorme das minhas costas, que aliás era o que mais doía. Fiquei no chuveiro por algum tempo e ao ouvir a musica "oração de um bebê" me emocionei porque me dei conta que estava vivendo um momento único na minha vida. Chegou o momento de conhecer uma força que nem imaginava ter. Estava na banheira com o Renato ao lado, e dentro de algumas horas nunca mais seriamos só nós dois. Eu, com todo aquele sentimento de estar com todos ao lado e sozinha ao mesmo tempo .Fui internada 01:00 da manha.

O que mais gostei foi o banho mormo, tentei passar pelas contrações na cama e não consegui, achei super incômodo e retornei pra banheira. A água tão quentinha era um acalanto. Quando cheguei nas contrações expulsivas, fiquei com medo de não conseguir ter a força suficiente. Por alguns minutos eu simplismente dormi profundante, quando  acordei a sensação foi de uma noite inteira de sono bem dormida e estava renovada sem dor nenhuma. O susto ao acordar e não estar com Samuel lá ainda foi bem forte. Estava há algumas contrações do meu filho, comecei a sentir cada vez mais forte até que pedi para ficar de cócoras. O que achei interessante foi que meu corpo pediu aquela posição, e depois de duas  contrações  nessa posição chega meu presente, meu milagre. Minha reação foi deitar de novo e o pai me deu ele no colo. Fiquei sem reação, feliz demais pra chorar e cansada demais pra sorrir. Me senti completa, mãe naquele momento. Ficamos por algum tempo calados e depois cantamos nosso hino favorito pra ele "Sou um filho de Deus "(hino sud) ainda ligados pelo cordão, cantei com todo meu coração. Fui para a cama já com ele no colo ainda com o cordão. Ficamos por algum tempo, depois a enfermeira com o pai cortaram o cordão. Após o procedimento, quando retornei pro quarto, ficamos eu e ele pela manha sozinhos. Pude olhar pra ele no berço e lembrar alguns meses antes… o primeiro dia que entrei naquele lugar com apenas uma tira de papel com dois riscos e naquele dia sairia com a melhor parte de mim no colo. 

Durante a internação consegui tirar algumas conclusões sobre o parto natural. Foi natural porque ele escolheu a hora pra chegar. Foi natural porque nos preparamos como família pra todas aquelas horas de dores. Hoje vejo que não são dores é apenas um desconforto comparado com o enorme prazer de ser mãe  e a rapidíssima recuperação. Acredite, eu, algumas horas depois, esqueci a proporção da dor. Sei que dói, mas sei que foi normal e passaria quantas vezes fossem necessárias pra ter aquela recompensa de me jogar na banheira com ele no colo. Foi natural porque foi respeitado o meu tempo, não se acelerou nada, não fui cortada, não fui repreendida por gritar, por chorar, por escolher uma música agitada no meu playlist pro parto. Meu marido foi respeitado, incentivado a estar comigo, a participar. Estávamos cientes de tudo que aconteceria caso algo saísse do planejado. Fui olhada com amor, como uma mulher ponderosa, capaz de parir. Não senti como se estivesse cometendo um crime ao gritar, gemer de dor, não estava atrapalhando um plantão, estava criando um parto único, pessoal, humano.

Ao agradecer a enfermeira ela me disse “Eu não fiz nada foram vocês dois que fizeram tudo eu apenas ajudei “ linda né ? Foram os dias que eu mais me senti fragilizada e mais me senti forte. Fiquei frágil como uma menina, emotiva como no dia do meu casamento e hiper feliz nas minhas primeiras horas como mãe. Logo depois de todo o procedimento no bebê e em mim veio a amamentação. Mas esse é outro longooo processo e uma outra historia de amor e sacrifício rs...

E essa foi minha experiência de parto natural. Morro de saudade do meu barrigão, sinto saudade da expectativa do parto. Ser mãe é Divino.  

MariaAurilene



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